sábado, 31 de dezembro de 2011

PARQUE DOS POETAS

Por impulso ou chamamento,
Dei por mim, em passo lento,
A caminhar, num dia de Sol...
E, por força do Destino,
Senti-me de repente, pequenino...
Se em pauta, um simples "bemoç".

Fui, ao encontro dos ancestrais
Poetas de referência e valor mais,
Em repouso no seu eterno Olimpo.
Nesse lugar - "Parque dos Poetas",
Local de culto, de tantos profetas,
Andam poemas no ar; bem os sinto!

Ali jazem, sob os nossos pés,
Quando se passa, mesmo resvés!
Os indiferentes, sem ver o que brota,
Nas lajes de inscrição a perdurar,
Têm os vates a declamar
E, alarves seguem, movendo a bota!

Na envolvência do espaço, se enquadra,
O misticismo da Arte na Palavra.
Tantos! Os Poetas laureados deste país,
Aguardando visita de consagração;
Romagem, onde nem todos vão
Porque a Poesia nada lhes diz.

Que não a mim, "poeta-aprendiz"!
Ali fui, aspirar a verve, de raíz,
Tentando aprender a soletrar magia;
Quem sabe, com a Graça de Deus,
Possa um dia, ter versos meus
Que alguém, por bondade, elogia!...

FALANDO DE BARRAGENS

Obra por todos desejada,
A sonhada, Barragem do Alvito!
Poder oculto, pela calada,
Fez-lhe, um "Bordalo" manguito!

Já outra, tão contestada,
Conhecida, como do Tua,
Segue a meta programada,
À força da falcatrua!

Maldição, dos poderes instalados,
Parece ser a causa e o efeito.
Num país de "génios iluminados",
O razoável, será sempre, defeito!

Pensa-se, num encontro da razão:
Quem?... como... ou porquê?
Um bom Edil, honesto beirão,
Parece ser a leitura, deste ABC!

A ACTUAL ASSEMBLEIA...

Deputados modernaços
Com brinquinho na orelha
De verborreia e, embaraços;
Esquemas de moda azelha,

São alguns dos representantes
Que defendem nossos interesses;
Outros há, bem mais pedantes
Com largo canastro e benesses.

Todos juntos, contados por grosso,
Duzentos e tantos, vejam só!
Este, é apenas o esboço;
O resto, até mete dó!

Risotas, peixeiradas, despiques,
Em semi-círculo, todos à volta,
Como pingentes ou apliques,
Num candelabro que revolta!

Porque a "luz" que difundem
Pouca claridade nos fornece;
Como lampadas se fundem
E, a chama não aquece!

LOJA DE PENHORES

Na minha Escola Primária
Onde fui, aluno distinto,
Descobri, na fase embrionária
Que 3+2, era igual a 5.

Muito mais se aprendia
À custa da tabuada.
Se algo, ao momento esquecia,
Era certa, a reguada!

Por tal, sei fazer contas!
Estas, agora vindas a lume,
Deixam-me um sabor d'afrontas,
Aliadas a grande azedume.

O empréstimo a Portugal
Dos milhares de milhões
Metade será para o aval
Dos prestimistas, figurões.

Saber o que somos e, temos
Não creio chegar-mos lá!
Assim? Com tais estafermos?...
Usurários, do pior que há?!...

MAUS MODOS

Pertenço à "geração dos antigos";
Dos actos e costumes comedidos.
Pelo exemplo, aprendizagem e educação.
O pegar na caneta,... estar à mesa...
Bons modos, entre todos, uma certeza,
Seguidos por nós, sem excepção!

Hoje, os humanos não têm postura.
Os maus exemplos, rebentam pela costura.
Nem sabem definir delicadeza.
Armas de ataque, o garfo e faca;
Posições de indolência; etiqueta fraca.
Podem ser ricos! Moralmente, uma pobreza!

UNS E OS OUTROS...

Estarei errado no pensamento
Ou neste país há duas correntes?
A da Direita - um tormento;
A da Esquerda - com grandes "mentes".

Corre a direito, praga mafiosa:
Escândalos, roubalheira à vista;
Maçónicos fechados, gente manhosa
São os outros, de extensa lista.

COMO?

Como podemos ser felizes,
Neste lugar de tantos deslizes?
Com vulgares "Patetas Alegres",
Filósofos, "Filhos da Truta"
Que nos deram a cicuta...
E outros, similares das lebres?

DIZEM E DESDIZEM

Este povo, não dorme
E, quando um político alarve
"Mete a boca no trombone"
A coisa, fica muito grave.

Não venha depois desmentir
O que disse, pùblicamente!
Ninguém vai nesse carpir
Nem se perdoa a quem mente.

A VIDA

Qualquer vida
Encerra um poema;
Do modo como vivida,
Agitada ou serena.

A minha, bem comprida,
Deslizou pelas planuras,
Cansou-se, na subida,
Desce, sem amarguras.

Realizei pequenos feitos
Na medida de quem sou
Não fui escolhido, eleito
Que mais acima se elevou.

Visionário, provedor da utopia
Deixo obras, apenas sonhadas
Por falta de maior valia
Que as tornaria realizadas.

Tenho sido homem honesto
Cumpridor dos preceitos.
Favores? Ainda os presto;
Uns bem; outros contrafeitos.

Será simples, o poema
Da descrição do meu viver;
Se diga: "de fama pequena"...
"Mas conhecê-lo, foi um prazer"!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

QUERO ACREDITAR

Ano Novo,
Vida Nova!
Paz no povo,
Canto de trova;

Do mal,
O menos,
Em Portugal.
Sejamos serenos...

Hoje assim,
Amanhã melhor;
O mal tem fim,
Quando há valor.

Sempre o tivémos
Na nossa vida;
Tudo fizémos,
Justa, a medida.

Nova a medida
Que se deseja;
Bem repartida
E que se veja.

Porque ver
Como S.Tomé,
Também requer,
Uma boa maré.

Maré de sorte
Bem merecida;
Rumando a Norte,
Singrar na vida!

Assim seja
Todo o ano!
Eu que veja
E, fique ufano

MALFADADA GREVE

Este Governo, porque espera
Para sanear, de imediato,
O mal que me desespera,
Deixando-me, apeado?

Venha a requisição cívil,
Dos maquinistas "fora da linha"!
Agir, de forma víril;
Terminar, com a "maminha"...

Incumprimentos, mal de raíz!
Dela não queiram fugir.
Voltem, "a entrar nos carris"!
O povinho, vos irá aplaudir.

HERÓIS DO MEU PAÍS

São dez mil, identificados,
Na pedra fria do Bomsucesso!
Todos eles foram chorados,
A quando da ida, sem regresso.

São os mártires do meu país,
Vítimas, do chamado Ultramar.
Por lá andei e, Deus quiz,
Conceder-me a Graça de voltar.

Perdi amigos; chorei a perda;
Hoje, quando a dúvida se instala,
Mando, mentalmente, "à merda",
"Ilustres", a quem "bati a pala".

Onde mora o brio; o amor à farda?
O juramento feito à Bandeira?
Será que uma geração bastarda,
Se rendeu, à bandalheira?

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

GALERIA DE ESCRITORES

Somos um paraíso de escritores.
Figurinha que se saliente,
Procura logo, uns Editores
Para publicar, o que sente.

E surge, a famosa pirosice
Da vida banal, sem interesse
Toda dada à coscuvilhice
Que só a poucos convence.

Sempre assim foi, nesta terra:
"Copianço", no que está a dar;

"Ir na onda", "estar na berra"!...
"Pés de barro", em gente vulgar!

ESCALA DE AMIZADES

Este ano, pelo Natal,
Fui mau, por negligente!
Guardei, o voto tradicional;
Não o dei, a toda a gente!

Quiz fazer prova cabal
E, selecionar os amigos;
Os que de forma informal,
Nunca nos deixam esquecidos.

Outros, talvez por comodismo,
Não se dignam a aceder;
Têm o seu próprio realismo:
Apenas gostam de responder.

Amigos, por excesso ou defeito,
Todos temos, na nossa vida.
Nenhum deles eu enjeito
Mas a prova foi aferida.

TAP OU DESTAPE

É, uma autêntica escandaleira
Que a Transportadora Nacional,
Inflacione, os preços, p'rá Madeira
Nesta altura, tão procurada, do Natal!

Porque detém, ardilosa exclusividade
Abusa, de tal facto comprovado;
Brinca, com a nossa passividade
E, nessa prática, alguém fica lesado

BORDALO & ALEIXO

Com a ironia do Bordalo,
Gozo um belo prazer!
O Aleixo, me dá regalo
Na verdade, do seu dizer.

Os dois, bem populares,
Marcaram a sua geração;
Ainda hoje, os azares,

Têm, igual reputação.

Foram ambos, ainda vivos
E, seria um fartote,
P'ra nós, pobres nativos,
Deste país de má sorte.

POEMINHA

É Natal!
Toca o sino;
Dá o sinal:
Nasceu o Menino!

Seu nome, Jesus;
Ficou na História.
Ao morrer na cruz,

De triste memória.

sábado, 24 de dezembro de 2011

QUANDO TE FORES

O que será de mim,
Quando Deus te chamar?
Desejarei o mesmo fim
Para de novo te encontrar!

Sem ti, a vida é nada!
O Sol, ficará no poente;
A Lua, se quedará, parada,
Terei a alma doente.

Vidas assim, tão unidas,
Vividas em longos anos,
Não podem ficar esquecidas,
Separadas, ou com danos.

Assim Deus queira; eu quero,
Ir contigo, quando fores;
Porque mais nada espero;
Não sou, de outros amores...

NATAL!

É Natal!
Nasceu o Deus Menino!
Esqueçamos todo o mal;
Cantêmos, o seu hino.

O Hino do Amor
Entre todos; somos irmãos!
Sentir dos outros, o calor
Que vem do dar as mãos!

Igualêmos, a humildade
Daquela Santa Figura;
Compreender que a Verdade,
Nos foi dada por Escritura.

Em suma, num resumo:
Sejamos puros no instante;
Manter todo o nosso aprumo,
Hoje, amanhã... aí por diante!...

"MEUEDEN" - O MEU JARDIM

Todo o homem tem o seu espaço
Adquirido por direito, na nascença;
Eu, construi o meu, à força de braço;
Lhe dei nome e, imaginária crença.

"Meueden", é simples fantasia,
Do poeta que tenho em mim!
Aqui vivo, em plena alegria,
Neste lugar, feito jardim!

PENSAMENTO DE BEIRÃO

Pensar beirão
Sentindo que o é,
Tendo no coração,
O sentido da Fé,

Conforta a alma!
Dá conformismo,
Na vida calma,
Do nosso protagonismo!

Tão simples somos!
Verdadeiros na pobreza
Recordando o que fomos,
Hoje, na nossa "riqueza"!

Bençãos, nos são devidas
Neste viver que terá fim;
Nossas preces sejam ouvidas
E, Deus nos diga que sim!

RETRATO TIPO "PASSE"

Políticos sem nível,
Gestores gananciosos,
Nada é crível,
Nos dizeres enganosos.

Em curta resenha,
É isto o que penso;
Junte-se a manha
Ao fétido intenso...

E aí teremos,
O "país ideal"
Onde nós vivemos,
Pobres, muito mal!...

VALIOSOS SINDICATOS

Os nossos valiosos Sindicatos,
Instrumentos, algo caricatos
Para que servem de concreto?
Nas "lutas" nada resolvem;
Idem nas causas em que s'envolvem
Com o seu duvidoso intelecto.

Venha, a primeira grande vitória
A inscrever na sua longa história
Para que fiquêmos conscientes
De existência rara e valiosa
Ou presença, meramente caprichosa
Na manutenção de "tachos" permanentes!

UNS E OS OUTROS

Estamos em profunda crise;
Não se permite, um deslize!
No "ponto", a tolerância acabou;
Mas os ilustres figurões,
Suspenderam, as suas sessões;
Para esses, o trabalho cessou.

Sendo assim, os "despurados",
Vão prá Festa mais bafejados
Que o resto dos portugueses!
País de trágicas comédias
E, de apregoadas lérias...
Uns, barões; outros "malteses"!

ALMOÇO DE PRIMOS

É já um almoço tradicional
Este, o de primas e primos;
Sempre em Dezembro, mês do Natal;
Com alegria, porque nos reunimos...

Sempre recordando o Passado,
Trocamos presentes e brindamos!
No fim, deixamos recado:
Assim seja, por longos anos!...

Dos muitos, vieram poucos;
Lá teriam outro evento...
Mas, "abertos os caboucos"
O todo persiste,... com lamento.

Nos referimos aos esforçados,
Vindos da maior distância;
Os faltosos, foram perdoados,
Embora registada a circunstância!

Foi em 3 de Dezembro.

domingo, 18 de dezembro de 2011

OS "RATINHOS" DA BEIRA-BAIXA

Elejo, o prato "ratinho",
Símbolo da jorna suada;
Das gentes do meu cantinho
Que na Beira, têm morada.

Em ceifas, no Alentejo,
Lhes era dado pelo patrão,
Nos idos tempos, quando o ensejo,
Era ir longe, ganhar o pão.

Finda a campanha, o regresso!
Com os cobres, ganhos a súor,
Se trazia o "ratinho"; um apreço
Do contratante, bom senhor!

Hoje, têm lugar nas cantareiras,
Na certeza de que alguém os usou;
Nestas famílias das Beiras,
A prova latente, ali ficou.

Se vos disser que tal prato,
Naquela altura, só prestável,
De barro pintado, barato...
Tem agora, valor considerável?!

É o preço, da riqueza cultural
Que passa de geração em geração,
Na herança antiga, tão natural:
O manter de salutar tradição.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

DESPROPORÇÃO DE RAÇAS

Em viagem pouco habitual,
Dei por mim, em dia passado,
A cismar: será que Portugal
É agora um novo Estado?

Ao estado a que chegámos!...
Num combóio suburbano,
De "nós", poucos estávamos,
Naquele imenso "mar africano".

No rodopio, do entra e sai,
Maioria viajante e presente,
Fez-me pensar, pasmai,
Estar noutro Continente.

Onde já estive, no passado;
Naquela África, d'assombro!
Desses momentos, recordado,
Me julguei, no "machibombo"!

Pela desproporção conferida,
Repito, vaticínio já previsto:
Se não criamos "mais vida",
No futuro, o Mundo será revisto,

ME CONFESSO

Tenho um grande defeito: praguejo!
À contrariedade, à ignorância.
Com muita pena, assim me revejo;
Mas como aceitar tanta jactância?

Praguejar, me alivia o ego
E, como não vou em futeboladas
Eu vos juro, eu seja cego
Se não bramo, às gentes malvadas!

GREVE NA TAP

Os bem pagos condutores
Dos "autocarros aéreos"
Usando, falha de pudores,
Mostram-se pouco sérios.

Cospem, no prato da sopa
Maltratam quem os sustenta;
Só mesmo, um vulgar lorpa,
De barriga cheia, se lamenta.

Muito ambiciosos, os meninos;
Dos mais bem pagos aviadores,
Não lhes chegam, os mimos!
Querem mais altos valores.

A pensar na "bruta" reforma
Para além do amealhado
Na carreira de fina jorna...
Tanta gula assim, é pecado!

Exigências em tempo de crise!
Que grandes patriotas (?)!
Oxalá, não vos deslize,
As contas, p'ra nós já tortas!

É o fartar da vilanagem
Dos "trastes" e, há tantos!...
Neste país de falsa miragem
Com miséria pelos cantos.

QUEM, QUANDO E COMO ?

Quem fui, no passado?
O que sou, no presente?
Quanto valho, avaliado,
Ao preço do bem vigente?

Fui pobre de nascença;
Agora, sou dono e senhor;
Na escala de variada avença,
Bem rico, de tanto amor.

Amor à vida e aos meus
Familiares, amigos,... tantos...
Amor devoto, a Deus,
Até amo, os meus prantos!...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

NUNCA FIANDO

Os defensores da classe,
Da famigerada classe política,
Caída agora num impasse
E, se apresenta paralítica,

Não se sente fora d'uso?
Deixem-se de conversa fiada!
"Cada roca tem seu fuso",
Já perderam o fio à meada!

O TRIO DA DESGRAÇA

 Os "esquerdas", perderam o sentido;
Já os da "direita", entortaram.
No centro, o fiel está partido.
Todos, o caldinho entornaram...

Esquerda, Direita e Centro,
Pró diabo quem os inventou!
Porque eu, totalmente isento,
Pago, o que o trio provocou?!

RIMAR COM SOFRER

Que mais,
Nos irá acontecer?
E, os tais,
Continuam a receber?
Quantos mais,
Sacrifícios a fazer?
E, os demais,
Gozando a belprazer?
Tantos ais,
Com os doutores no lazer?...

Poderei der demagogo;
Mas nunca um vulgar bobo!

COBRADORES DE IMPOSTOS

As tantas medidas gravosas
Que sergem, a par e "passos",
Pelo número, são às grosas;
Deixam-nos, com ar de palhaços.

Palhaços pobres, do meio circense
Que alegram os mais protegidos.
E, porque quem cala consente
Somos nós, os perseguidos.

É demais! De todo insuportável!
A vossa invenção desmedida,
De criar, o jeito "sacável",
Sem medir, o peso ou a medida.

Vá lá! Façam um frete!
Inventem novos impostos!
Por exemplo: - Ir à retrete?
Pagas, por tais pressupostos!

Sabidas as últimas e recentes,
Só faltava essa ou semelhante.
Pergunto: - Quando passais a decentes,
Com tanta medida aberrante?