Então como é, senhores?
Os combustíveis nos Açores,
assim, com tão bom preço
e nós por cá, no mesmo?
Cada um por si, a esmo,
com medidas que desconheço?
Será que os açorianos
alcançaram independência
e ficaram tão ufanos?
Que falta de paciência...
Sou da Beira; ex-militar; India,Moçambique e Guiné. Na velhice o vicio da poesia, e o amor que me une às boas tradições beirãs.
Então como é, senhores?
Os combustíveis nos Açores,
assim, com tão bom preço
e nós por cá, no mesmo?
Cada um por si, a esmo,
com medidas que desconheço?
Será que os açorianos
alcançaram independência
e ficaram tão ufanos?
Que falta de paciência...
Fácil fazer este reparo
que grassa por inteiro:
Pagamos tudo mais caro
e temos menos dinheiro.
Mal como nunca se viu
nestes tempos mais modernos.
Ao mesmo junte-se o frio.
Castigos para nós, eternos.
Um badalado "dragão"
até à família exige
respeito e contenção
mas aos outros, só aflige.
Nada será comparável
ao que não tem comparação.
Democracia instável
é Ditadura em função.
O que os outros resolvem,
de uma só assentada,
por cá, mal se movem
ou a obra fica parada.
Não de agora, mas de sempre,
apenas "fogo de vista".
Quem diz o contrário mente
ou terá defeitos na vista.
Ter carga fiscal elevada
e não haver compensações,
é ter uma vida pasmada,
recheada de ilusões.
Meu filho. na Dinamarca,
paga impostos elevados,
a ultrapassar a marca
d'outros países, comparados.
Porém, curiosamente
não o ouço a protestar!
Porque será, minha gente?
Nem é preciso pensar.
Fica a verdade declarada.
Considerei a trapalhada
como lapso a acontecer
nas ajudas do Estado.
Parabéns! Não fui enganado,
confirmou-se o parecer.
E essa do IBAN errado?
Acho o caso engraçado!
Os percursos que todos fazemos,
uns com mais, outros menos,
completam a nossa vida.
Infância, juventude,
maturidade e velhice,
esta, uma grande chatice,
mas tem a sua virtude.
Quatro fases que descrevo,
constituem o acervo
de uma longa existência.
Nela tive, muito e tanto.
Até dei lugar ao pranto
em tempos de penitência.
Já na parte descendente,
nem ando muito contente
como assim desejaria.
Suportar o peso da idade
com certa precaridade
não me traz grande alegria.
Conformismo sem alarmismo,
é o que terei de aceitar.
Sei que me espera um abismo
onde um dia irei ficar.
Enquanto tal não acontecer,
teimosamente, continuo a viver!
No Dia de Todos os Santos
sempre mantive a tradição
até que, imprevisto senão
me cerceou esses encantos.
Um mau actual momento
contraria os desejos,
mas tenho no pensamento,
todos os bons ensejos.
Não esquecerei em oração,
os pais, de quem sou órfão.