Quando não se prevê no Verão
No Inverno virá a inundação.
Sou da Beira; ex-militar; India,Moçambique e Guiné. Na velhice o vicio da poesia, e o amor que me une às boas tradições beirãs.
Não vos invejo a riqueza
Mas muito lamento a pobreza
Que felizmente nem tenho.
Na luta, ganhei a vida,
Tenho existência comprida
Mercê de bom desempenho.
E por vos ver assim sentados
Muito bem acomodados,
Em numerosa Assembleia,
Nem por sombras, meu amém.
Sinto-me muito bem
Como espectador de plateia!
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Com sorrisos tão alarves,
Falseiam todas as verdades.
Tanta fartura anunciada
Mas tamanha miséria declarada.
A que propósito, caramba,
Encerrar Orçamento, o Galamba?!
Nas suas artes do paleio
O Governo em mil promessas
Não se fica pelo meio
Aldraba mas pede meças.
Os cofres do noss Estado
Abarrotados como nunca
E o "Zé Povinho", coitado,
Vivendo em espelunca?
Anunciam o Novembro
Como mês catastrófico.
Sem Saúde a bom contento
Virá, mal-estar anedótico?
Como pode ser possível
Neste Pais tão elogiado
Pois assim, de modo incrível
Está sómente remediado?
Se há dinheiro em fartura
Como prova a evidência,
Diga-nos lá, a criatura:
Falta-vos inteligência?
Esta apenas uma questão
Outras temos e não pequenas.
Os males da nossa Nação
São somatório de penas.
E perguntar, não resisto:
"O bom viver, será isto"?
Pedir o "pão por Deus"
Ao tempo em terra dos meus...
Me vem hoje à lembrança.
Tempos felizes de outrora
Recordados nesta hora.
Volver, aos tempos de criança.
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